quinta-feira, 23 de março de 2017

Obcecado por números



Primeiro, é importante discutir um dos problemas primários em missões na Índia – a empolgação do Ocidente pela eficiência numérica, isto é, a ideia de que grandes números são uma validação da bênção de Deus e do sucesso no ministério.
O mundo corporativo é apaixonado por números, por grandes números. Os números são a ordem do dia em toda esfera da vida, e a empolgação por números impressionantes encontrou seu lugar na igreja e na missão da igreja, tanto no Ocidente quanto – como um resultado da influência ocidental – na Índia. Muito do jargão de missões é, de alguma forma, colorido pela noção de eficiência numérica: “rapidez”, “multiplicação”, “estratégia”, “crescimento”.
Cada “visão” e cada “relatório” tem um tipo de etiqueta numérica acoplada. 5.000 igrejas em 5 anos. 30.000 batismos em 3 anos. Maior e mais rápido = melhor. Certo?
Errado!
Infelizmente, a obsessão da igreja do Ocidente por números tem tido um efeito destrutivo, de modo que o nome de Cristo é blasfemado na Índia.
Uma mania pecaminosa por números maiores e melhores tem infectado tanto os ministros nativos quanto a obra dos missionários ocidentais na Índia. A noção de que o crescimento numérico é um indicador de fidelidade é estranho às Escrituras e, na verdade, surge do “movimento de crescimento de igreja”.[1] Mas, infelizmente, a maioria das igrejas – até mesmo aquelas que sustentam uma teologia do evangelho centrada em Deus mais robusta – comprou essa falsa ideia de que “crescimento rápido” é o sinal primário da bênção de Deus.  Quanto mais rápido você cresce, mais fiel você é.
Eu espero desacreditar essa falsa ideia discutindo alguns dos desastrosos efeitos que isso teve em missões na Índia. Porém, mais do que isso, espero alertar meus irmãos e minhas irmãs do Ocidente para uma abordagem de missões mais sã, fiel e centrada no evangelho. Nós certamente podemos celebrar um crescimento numérico se ele for de acordo com a Escritura. Mas quando o crescimento numérico substitui prioridades da Escritura, o evangelho é comprometido e o testemunho cristão é manchado. Ao apontar alguns dos resultados devastantes da ênfase nos números, eu espero encorajar as igrejas do Ocidente a terem discernimento sobre os trabalhos dos missionários que eles sustentam, enquanto encorajo meus irmãos indianos a buscarem um crescimento real do evangelho em seus ministérios, independente de eles parecerem ou não impressionantes para o Ocidente.

A praga do cristianismo nominal

Os relatórios missionários da Índia estão cheios de notícias de impressionantes “movimentos de pessoas” para Cristo que estão aparentemente acontecendo em todo o país. Os missionários com quem conversei descreveram seu trabalho nos seguintes termos: “7.000 igrejas foram plantadas na Caxemira nos últimos 5 anos”. “50.000 novos crentes foram batizados em Nova Deli ano passado”. “Centenas de milhares da casta inferior dos ‘Dalits’ (intocáveis) estão chegando para conhecerem a Cristo”. O que nos é dito é que as coisas estão acontecendo na Índia em uma “escala sem precedentes”, igualada somente pelos capítulos iniciais do livro de Atos. Isso é real? Deixe-me responder com 3 pontos.
i. Onde estão as igrejas?
Um colega indiano cooperador do evangelho (que trabalha em uma das regiões mais difíceis no norte da Índia) me disse que, quando ele ouve amigos do Ocidente falarem sobre essas milhares de igrejas plantadas, sem piscar, ele pergunta irritado pelo endereço e o CEP delas para que ele possa visitar pelo menos uma delas. Seu ponto não é que todas as igrejas têm que ter um endereço físico, mas que esses números estão relatando igrejas fantasmas, que não existem na realidade.
Em resumo, os números são uma ilusão. Essas assim chamadas “igrejas” são tipicamente nada mais que um grupo de três ou quatro pessoas que acabam por se encontrar uma ou duas vezes de forma casual. Elas ouvem umas duas histórias bíblicas aguadas e desaparecem no esquecimento depois disso.
Na maioria dos trabalhos missionários na Índia, as prioridades pragmáticas suplantaram as prioridades bíblicas. Um amigo missionário do Ocidente recentemente me disse que, acerca do seu desenvolvimento na Índia, os superiores na sua organização insistiram que ele fosse “estratégico” para “estimular um rápido crescimento” na plantação de “igrejas-coelho”, que são rapidamente estabelecidas e se multiplicam rapidamente, ao invés de plantar “igrejas-elefante”, que tomam um longo tempo para se estabelecerem e, então, requerem muito trabalho no discipulado, o que torna as coisas mais lentas. A resposta direta do meu amigo foi: “Mas igrejas-coelho são devoradas por falcões e lobos”.
A mania por números e o impulso por crescimento rápido resultam em “igrejas” que não têm o evangelho, nem liderança, nem teologia, nem profundidade, tornando-as presa fácil para as heresias da teologia da prosperidade, sincretismo e outros ensinos falsos.

terça-feira, 21 de março de 2017

A Palavra de Deus excede todas as ciências



A Palavra de Deus excede todas as ciências. O homem que é chamado de filósofo, mas não lê os livros de filosofia é envergonhado; o mesmo ocorre com aquele que é chamado de advogado, astrônomo ou físico, que seja ignorante dos livros de direito, astronomia e física. Ora, alguém que professa a Cristo e sua religião, pode não se dedicar (o máximo que puder ou for conveniente) a ler e ouvir, e assim conhecer os livros do evangelho e da doutrina de Cristo? Ainda que outras ciências sejam boas e devam ser aprendidas, o que nenhum homem pode negar, entretanto, a ciência de Cristo é essencial e ultrapassa todos os outros conhecimentos de modo incomparável. Que desculpas daremos, então, no último dia diante de Cristo, se nos deleitarmos em ouvir fantasias e invenções humanas mais do que nos deleitamos em seu santíssimo evangelho? E não encontraremos tempo para fazer o que devemos principalmente (sobre todas as coisas), se preferirmos ler outras coisas em vez da Palavra de Deus, pela qual deveríamos, antes, deixar todas as demais leituras. Portanto, apliquemos a nós mesmos, enquanto tivermos tempo e descanso, a conhecer a Palavra de Deus, por meio de ouvi-la e lê-la com diligência, se nós professamos a Deus e temos fé e confiança nele.
Desculpas vãs dissuadem do conhecimento da Palavra de Cristo. Aqueles que não têm boa afeição pela Palavra de Deus dão comumente duas desculpas vãs para disfarçar essa sua culpa. Alguns vão se desculpar por sua fraqueza e medo, dizendo que não se atrevem a ler as Sagradas Escrituras, pois temem que por sua ignorância não caiam em algum erro. Já outros fingem que a dificuldade de compreender a Palavra de Deus e a complexidade dela é tão grande, que é necessário ser lida apenas por pastores e homens eruditos.
Quanto à primeira desculpa, a ignorância da Palavra de Deus é a causa de todo erro, como o próprio Cristo afirmou aos saduceus, dizendo que eles erravam porque não conheciam a Escritura (Mateus 22.29). Como as pessoas evitarão o erro, se continuam sendo ignorantes? E como sairão da ignorância, se não leem ou ouvem aquilo que pode guia-los ao conhecimento? Aquele que nesse momento tem o maior conhecimento, já foi inicialmente ignorante; ainda assim, ele não se absteve de ler por temer cair em erro, mas leu diligentemente para que não permanecesse em ignorância, e pela ignorância, no erro. E se você não conhece a verdade de Deus (a coisa mais necessária) para que não caia em erro, pelo mesmo motivo você pode ficar deitado e nunca caminhar, para que não venha a cair na lama; nem coma nenhuma boa comida, para que não venha a se engasgar; nem semeie a sua semente, nem trabalhe, nem estoque, para que não corra o risco de perder a sua semente, seu trabalho e sua provisão. Seria melhor você viver na ociosidade, e nunca fazer qualquer coisa boa, para que algo de ruim não venha a lhe ocorrer.

Jerusalém, Capital de Israel

A decisão do presidente dos Estados Unidos de assinar o reconhecimento oficial da cidade de  Jerusalém  como a capital de Israel, além ...