quinta-feira, 19 de setembro de 2013

CARACTERÍSTICAS DOS FALSOS MESTRES – Quando o Lobo usa pele de ovelha



 
 
TEXTO: 2a Pedro 2:1-3

1. INTRODUÇÃO:
 
Os grandes bancos nos EUA  treinam exaustivamente os seus funcionários para que reconheçam uma nota falsa. Estes funcionários estão muito bem preparados e se porventura durante o manuseio das notas, houver alguma nota falsa, rapidamente ela será identificada pelo funcionário. No entanto, o mais interessante é que eles são treinados para reconhecerem uma nota falsa, primeiramente reconhecendo exaustiva e detalhadamente uma nota verdadeira. Assim, qualquer nota que destoe um  pouco da verdadeira, será facilmente identificada.
 
Como não é possível para estas grandes instituições financeiras preverem quais serão as novas formas e métodos de falsificação de notas, resta apenas fazer com que os seus funcionários reconheçam as notas verdadeiras, para poderem reconhecer uma nota falsa. Se fosse possível prever quais seriam as características das notas falsas que seriam colocadas em circulação pelos falsificadores de dinheiro, certamente que os funcionários destas instituições também seriam alertados e treinados para identificarem as futuras notas falsas através das suas características.
Na arte de reconhecer o verdadeiro do falso, de discernir e escolher entre o certo e o errado, nós cristãos somos privilegiados, pois além de sermos treinados exaustivamente a cerca das características da verdade ao ponto de identificarmos qualquer coisa que destoe desta verdade, nós também somos alertados a cerca das características do falso. E isto só é possível porque as características daquilo que não é verdadeiro, nos é previamente revelada por Deus na Sua Santa palavra.
Este texto que consta na 2a Carta de Pedro 2:1-3, nos revela previamente algumas características dos falsos mestres que “futuramente” surgiriam no meio do povo de Deus.
Naturalmente que, somente pela presciência do Espírito Santo de Deus revelada a Pedro e registrada na Sagrada Escritura,  é que podemos antever algumas características dos falsos mestres que surgiram e ainda surgirão no meio do povo de Deus.
E veremos como que de fato, Pedro prevê que falsos mestres surgiriam não apenas entre os primeiros leitores desta carta, mas entre nós também. Pois tanto os falsos mestres como as suas características, podem ser identificadas por nós ainda nos dias de hoje.
TEXTO: 2a Pedro 2:1-3
1     Assim como, no meio do povo, surgiram falsos profetas, assim também haverá entre vós falsos mestres, os quais introduzirão, dissimuladamente, heresias destruidoras, até ao ponto de renegarem o Soberano Senhor que os resgatou, trazendo sobre si mesmos repentina destruição. 2     E muitos seguirão as suas práticas libertinas, e, por causa deles, será infamado o caminho da verdade; 3    também, movidos por avareza, farão comércio de vós, com palavras fictícias; para eles o juízo lavrado há longo tempo não tarda, e a sua destruição não dorme.
2. CONTEXTO:

Acredita-se que Pedro escreveu esta carta pouco antes da sua morte (cerca de 67-68 d.C.) pois no início desta carta, ele mesmo prenuncia a sua morte iminente dizendo: “certo de que estou prestes a deixar o meu tabernáculo, como efetivamente nosso SENHOR Jesus Cristo me revelou.” (2 Pe 1:14)
Possivelmente Pedro escreveu de Roma, já que a sua primeira carta  foi escrita provavelmente em Roma também, segundo ele mesmo afirma dizendo na sua primeira carta: “Aquela que se encontra em Babilônia, também eleita, vos saúda, como igualmente meu filho Marcos.” (1 Pe 5:13)
A cidade de “Roma” geralmente era identificada pelos irmãos da igreja primitiva como a “Babilônia”. E tradicionalmente afirma-se que Pedro foi martirizado em Roma sob o imperador Nero.
Pedro identifica os primeiros leitores desta carta como “aqueles que obtiveram fé igualmente preciosa na justiça do nosso Deus e Salvador Jesus Cristo,” (2 Pe 1:1) e se estes são os mesmos leitores da primeira carta, podemos identificá-los como os “eleitos que são forasteiros da Dispersão no Ponto, Galácia, Capadócia, Ásia e Bitínia,” (1 Pe 1:1)
Esta carta encontra um paralelo muito forte com a carta de Judas. Dos 25 versículos da carta de Judas, 15 aparecem total ou parcialmente em 2 Pedro. Muitas das idéias, palavras e expressões ocorrem em paralelo nas duas epístolas, mostrando que há um grande relacionamento entre ambas. Ambas as cartas têm o mesmo objetivo e se manifestam por causa do mesmo problema, no que se refere aos falsos ensinos que os primeiros leitores estavam sujeitos.
Nesta carta, provavelmente o apóstolo Pedro estava atacando uma forma primitiva de gnosticismo, já que o gnosticismo, como um movimento de fato, só ocorreu muito tempo depois que esta carta foi escrita. Gnosticismo, era um conjunto de ensinos heréticos que a igreja primitiva teve de enfrentar nos dois primeiros séculos da nossa era. Dentre as muitas heresias, este movimento propagava um dualismo (entre o bem e o mal) e a possessão de um conhecimento superior, que deriva do  termo grego gnosis: conhecimento.
Todavia, pelo conteúdo da carta, tudo indica que as vidas e os ensinos destes homens, negavam o Senhorio de Jesus. Eles eram pessoalmente imorais e infectavam aos outros com seus modos lascivos através de reduzir ao mínimo o lugar da lei na vida cristã e de enfatizar a liberdade. Estes homens visavam lucros buscando ganhar alguma vantagem dos seus ouvintes. Finalmente, esta carta também nos deixa claro o fato de que estes falsos mestres seriam punidos por Deus.
Todas estas características são levantadas na 2a carta de Pedro, e especialmente nos três versículos que lemos. Sendo assim, trataremos das “Características dos falsos mestres”.
 
3. TEMA: “CARACTERÍSTICAS DOS FALSOS MESTRES”
 
4.1 – 1a CARACTERÍSTICA:“OS FALSOS MESTRES SURGEM DO MEIO DO POVO”

v.1 “Assim como, no meio do povo, surgiram falsos profetas, assim também haverá entre vós falsos mestres…”

O texto nos diz que estes falsos mestres são semelhantes aos falsos profetas, pois surgem do meio do povo.
 
A expressão “falsos mestres” não ocorre em nenhuma outra passagem do Novo Testamento. No original está composto em uma única palavra. E tanto “falso mestre” como “falso profeta”, se inicia com o termo “pseudo”, que significa “uma mentira”. Mesmo no português é como se disséssemos que determinada pessoa é um “pseudo-mestre”, ou seja, ela se passa por mestre. Das 59 vezes que a palavra mestre aparece no NT, 41 se refere a Jesus, e o restante, á líderes religiosos.
“Mestre” no NT é uma tradução do hebraico “Rabi”, que por duas vezes os evangelhos ao se referirem a Jesus não traduzem, para “Mestre”.
Quando o texto trata desta categoria chamando-os de “falsos mestres”, mostra que de fato eles queriam se passar por um dos verdadeiros líderes religiosos á semelhança dos líderes cristãos.
 
Assim como os “pseudos profetas” anteriormente queriam se passar por legítimos profetas, agora os “pseudos mestres” se faziam líderes dentre o povo.
O fato destes homens surgirem do meio do povo, tornava a identificação do seu “pseudo ensino”, um tanto difícil. Mas o Apóstolo Pedro alerta para o fato de que isto já ocorria com o povo de Israel no passado ao dizer que os falsos mestres surgiriam “assim como”  muitos falsos profetas surgiram no meio do povo.
Moisés mesmo alertou os israelitas dizendo que surgiriam falsos profetas no meio do povo, e isto seria uma provação para o povo de Israel:
 
1   Quando profeta ou sonhador se levantar no meio de ti e te anunciar um sinal ou prodígio, 2  e suceder o tal sinal ou prodígio de que te houver falado, e disser: Vamos após outros deuses, que não conheceste, e sirvamo-los, 3  não ouvirás as palavras desse profeta ou sonhador; porquanto o SENHOR, vosso Deus, vos prova, para saber se amais o SENHOR, vosso Deus, de todo o vosso coração e de toda a vossa alma. (Deuteronômio cap.13)

O profeta Jeremias também alertou o povo de Deus acerca dos profetas que “entre o povo de Deus profetizavam”:
 
“Assim diz o SENHOR dos Exércitos: Não deis ouvidos às palavras dos profetas que entre vós profetizam e vos enchem de vãs esperanças; falam as visões do seu coração, não o que vem da boca do SENHOR.” (Jeremias 23:16)
 
É importante observar ainda que na 2a carta de Pedro, a palavra no texto original usada para dizer que estes falsos mestres “surgem” no meio  do povo, também pode transmitir  a idéia de “vir a existência” ou “nascer”, já que é a mesma raiz da palavra “gênesis” (sig. nascimento, origem.) Ou seja, de fato estes falsos mestres originaram-se do meio do povo de Deus.
Tanto gramaticalmente como teologicamente é correto dizermos que estes falsos mestres nunca foram de Deus, apenas pareciam ser enquanto estavam misturados com o povo de Deus, até que em um determinado momento “vieram á luz” ou “surgiram” como nossa Bíblia traduz.
A palavra “surgir” algumas vezes também é traduzida no NT transmitindo a idéia de “tornar-se”, sendo assim, uma outra possibilidade é a de que estes homens se apostataram da verdade que primeiramente lhes fora transmitida e aderiram á heresias “tornando-se assim” falsos mestres.
 
Esta característica dos falsos mestres de fato se cumpriu no passado e se cumpre no presente. Os falsos mestres “surgem” no meio do povo de Deus. Muitos dos movimentos e seitas heréticas se originaram a partir de um membro de uma igreja evangélica que se levantou e arrastou muitos após si.
 
Há não muito tempo atrás, muitas profetizas se levantaram em igrejas presbiterianas, e dizendo ter recebido revelações de Deus fizeram verdadeiros estragos em muitas igrejas.
Muitas heresias são difundidas por ‘falsos mestres” que surgem no meio do povo e permanecem no meio do povo de Deus. Líderes evangélicos que há muito tempo se apartaram da verdade de Deus, que, mesmo pregando heresias, se confundem com os verdadeiros mestres, pois pelo fato de surgirem no meio do povo de Deus, eles se parecem com os verdadeiros mestres,  mas na verdade não passam de “pseudo mestres”.
Estes falsos mestres, além de surgirem no meio do povo, também introduzem dissimuladamente heresias destruidoras.

4.2 – 2a CARACTERÍSTICA: “OS FALSOS MESTRES INTRODUZEM DISSIMULADAMENTE HERESIAS  DESTRUIDORAS”

v.1 “…os quais introduzirão, dissimuladamente, heresias destruidoras, até ao ponto de renegarem o Soberano Senhor que os resgatou, trazendo sobre si mesmos repentina destruição.”
Estes falsos mestres “introduzirão dissimuladamente” heresias destruidoras. Na verdade a tradução: “introduzirão dissimuladamente” vem de uma única expressão no texto original (grego), que é muito rica em seu significado, pois também pode ser traduzida como “contrabandear” ou “introduzir furtivamente“. No contexto esta palavra significa: “trazer para dentro lado a lado com” (no caso, com a verdade) e “introduzir secretamente” expressa a idéia de “introduzir algo debaixo de alguma cobertura”.
 
Uma das características destes falsos mestres que surgem no meio do povo, é justamente introduzir heresias de forma dissimulada, ou seja, o que nós vemos aqui é um tipo de sincretismo, onde as heresias são introduzidas no meio do povo de Deus misturadas de tal forma com a verdade, que passam desapercebidas.
Por exemplo, quando alguma seita usa o nome de Jesus, Deus, evangelho… isto não garante que estão pregando a verdade.  Nós temos pessoas dizendo coisas absurdas em nome de Jesus. Nós precisamos avaliar as implicações daquilo que ouvimos, mesmo que o que está sendo dito, esteja temperado com “alguma” suposta verdade.
Jesus certa vez alertou seus discípulos a cerca destes disfarces do inimigo dizendo: “Acautelai-vos dos falsos profetas, que se vos apresentam disfarçados em ovelhas, mas por dentro são lobos roubadores.” (Jo 7:15)
 
Ainda que estes “falsos mestres” possam dissimular e “tentar enganar” o povo de Deus, Jesus nos deixa claro que a Ele não conseguirão enganar pois diz que:
 
21 Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus. 22 Muitos, naquele dia, hão de dizer-me: Senhor, Senhor! Porventura, não temos nós profetizado em teu nome, e em teu nome não expelimos demônios, e em teu nome não fizemos muitos milagres? 23 Então, lhes direi explicitamente: nunca vos conheci. Apartai-vos de mim, os que praticais a iniqüidade. (Mt 7:21-23)
 
Finalmente Jesus nos diz que estes “falsos mestres” ou “falsos profetas” surgiriam nos últimos tempos e operariam grandes sinais e prodígios ao ponto de enganar, se possível, os próprios eleitos:
 
“…porque surgirão falsos cristos e falsos profetas operando grandes sinais e prodígios para enganar, se possível, os próprios eleitos.” (Mt 24:24)
 
O texto ainda nos diz que estas heresias introduzidas “camufladamente”, tem um potencial “destruidor”. É interessante observarmos o trocadilho que o apóstolo Pedro faz, pois a expressão “destruidor” é a mesma usada para aquilo que os hereges trazem sobre si, “repentina destruição”. Estas heresias tem o potencial de destruir a fé das pessoas que a abraçam, fazendo com que a destruição seja repentina.
 
Na realidade estas “heresias destruidoras” trazem “repentina destruição” porque elas resultam na “negação do Senhor”.  O texto nos diz que o ato de “introduzir heresias”, chega ao ponto de “renegarem o soberano Senhor que os resgatou”.

Creio que a maior dificuldade deste texto, consta nesta inusitada afirmação “renegarem o Soberano Senhor que os resgatou”. Teologicamente só pode haver uma explicação. Estes falsos mestres que  surgiram no meio do povo “nunca foram de fato regenerados” simplesmente porque é impossível perder a salvação, ou “cair da graça”.
 
O texto nos fala que estes falsos mestres introduzirão heresias ao ponto de “renegarem” o Senhor. Este verbo também pode ser traduzido como “repudiar” ou “recusar” o soberano Senhor que os resgatou. Ou seja, apesar de estarem no meio do povo, de fato, nunca fizeram parte do povo, pois recusaram isso. A expressão “resgatar” é a mesma usada para o resgate do povo de Israel do Egito. Como sabemos, nem todos que foram libertos juntamente com o povo de Israel do Egito, eram de fato “filhos de Deus”.
 
Durante a peregrinação muitos se apartaram do Senhor e foram destruídos, mostrando de que lado eles estavam. Ainda que tivessem obtido todos os benefícios que o povo de Deus havia recebido com a sua libertação do Egito, eles nunca foram regenerados.
Estes “falsos mestres” estão na mesma categoria das pessoas que lemos na carta aos Hebreus. Elas experimentaram muitos dos benefícios do Senhor, “foram iluminadas” provaram do “dom celestial” e até participaram  do “Espírito Santo” mas nunca foram regeneradas de fato, assim lemos em (Hb 6:4-6):
 
“4 É impossível, pois, que aqueles que uma vez foram iluminados, e provaram o dom celestial, e se tornaram participantes do Espírito Santo, 5 e provaram a boa palavra de Deus e os poderes do mundo vindouro, 6 e caíram, sim, é impossível outra vez renová-los para arrependimento, visto que, de novo, estão crucificando para si mesmos o Filho de Deus e expondo-o à ignomínia”(Hb 6:4-6).
 
O Apóstolo Paulo nos lembra na 1a carta á Timóteo que nos últimos tempos, alguns apostatarão da fé:
1 Ora, o Espírito afirma expressamente que, nos últimos tempos, alguns apostatarão da fé, por obedecerem a espíritos enganadores e a ensinos de demônios, 2 pela hipocrisia dos que falam mentiras e que têm cauterizada a própria consciência, (1 Tim. 4:1,2)
 
Na carta aos Efésios o Apóstolo Paulo também nos diz que as falsas doutrinas são artimanhas de homens astutos:
 
“…para que não mais sejamos como meninos, agitados de um lado para outro e levados ao redor por todo vento de doutrina, pela artimanha dos homens, pela astúcia com que induzem ao erro.” (Ef. 4:14)
 
O próprio Apóstolo Pedro faz um contraste no capítulo anterior, dizendo que o seu testemunho não era uma “fábula engenhosamente inventada”, e em seguida, no cap.2 nos mostra que esta é justamente uma característica dos falsos mestres, ou seja, a de introduzir “heresias dissimuladamente”:
 
“Porque não vos demos a conhecer o poder e a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo seguindo fábulas engenhosamente inventadas, mas nós mesmos fomos testemunhas oculares da sua majestade” (2 Pe 1:16)
 
O Apóstolo Paulo também nos diz que haverá tempo em que os homens “cercar-se-ão de mestres segundo as suas próprias cobiças” e se entregarão às “fábulas”:

“Pois haverá tempo em que não suportarão a sã doutrina; pelo contrário, cercar-se-ão de mestres segundo as suas próprias cobiças, como que sentindo coceira nos ouvidos; e se recusarão a dar ouvidos à verdade, entregando-se às fábulas.” (2 Tim. 4:3-4)
Esta é uma das características dos “falsos mestres”,: introduzirem dissimuladamente heresias destruidoras, e como conseqüência negam ao Senhor e trazendo sobre si repentina destruição. E como vemos, esta característica pode ser constatada em toda a Escritura.

Mas o texto diz que estes falsos mestres, além de surgirem no meio do povo e de introduzirem heresias destruidoras, eles se caracterizam também por fazerem muitos seguidores, como veremos a seguir.

4.3 – 3a CARACTERÍSTICA: “OS FALSOS MESTRES FAZEM MUITOS SEGUIDORES”

v.2 “E muitos seguirão as suas práticas libertinas, e, por causa deles, será infamado o caminho da verdade;”
 
Esta característica é muito peculiar aos “falsos mestres“, é impressionante como que suas “doutrinas heréticas” que naturalmente produzem “práticas libertinas” acabam por também produzir muitos seguidores.
 
A expressão “práticas libertinas” transmite a idéia de imoralidade temerária e endurecida, como uma antítese ao “caminho da verdade”.
Se de fato, como vimos no contexto, as heresias que os falsos mestres introduziam, fossem, algum tipo de “gnosticismo primitivo”, a expressão “práticas libertinas” faz total sentido, pois os gnósticos transformavam a santidade e liberdade cristã em licenciosidade.
Segundo eles, toda matéria seria má, e o espírito bom. Assim, o corpo físico seria a sede do pecado (por fazer parte da matéria) e imaginavam que toda forma de depravação corporal ajudaria a destruir o corpo. Também davam liberdade para toda sorte de depravações, especialmente as sexuais, pois acreditavam que a alma em nada seria prejudicada.
Esta dicotomia, do corpo e da alma, foi um erro posteriormente difundido pelo movimento dos  gnósticos, mas também encontramos suas raízes neste tipo de gnosticismo primitivo. Eles não compreendiam que tanto a alma como o corpo são santos e que ambos finalmente seriam remidos.
 
O que provavelmente estava acontecendo é que, com estas heresias eles estavam angariando para si muitos seguidores, e pelo fato destas práticas imorais se multiplicarem através dos muitos seguidores,  o caminho da verdade era infamado.
Certamente, todo tipo de propaganda que satisfaça as necessidades imediatas do homem, mesmo que lícitas, resultará em grande número de adeptos. No caso, o texto indica que as práticas eram “libertinas” dando liberdade á vontade da carne e do coração, que segundo a palavra de Deus são corrompidos.
 
No entanto, mesmo que a propaganda não seja ilícita, mas ofereça algum tipo de vantagem para os ouvintes, eles se avolumarão espantosamente.
Isto ocorreu até mesmo com o Senhor Jesus, que mesmo pregando a verdade, muitos o procuravam apenas por causa dos pães que Jesus multiplicava, pois Jesus mesmo disse no evangelho de João cap.6:
 
v. 26 Respondeu-lhes Jesus: Em verdade, em verdade vos digo: vós me procurais, não porque vistes sinais, mas porque comestes dos pães e vos fartastes.
E
 depois de Jesus lhes falar muitas verdades a cerca disto, lemos:
 
v. 60 Muitos dos seus discípulos, tendo ouvido tais palavras, disseram: Duro é este discurso; quem o pode ouvir?
 
E finalmente: v. 66 À vista disso, muitos dos seus discípulos o abandonaram e já não andavam com ele.
 
Entendemos com isto, que a multidão está atras de satisfazer os seus próprios interesses, no caso “comer o pão e se fartar”, sabendo disto, os falsos mestres se utilizam de meios que satisfazem as necessidades imediatas dos seus ouvintes, e naturalmente sempre haverão muitos seguidores. No caso do nosso texto, a “prática libertina” certamente era algo que atrairia muitos seguidores, pois o texto nos diz que “muitos seguirão as suas práticas libertinas”.
 
No caso de Jesus, vimos como que o discurso sincero, dispersou os ouvintes interesseiros, e se continuássemos com a leitura no evangelho João, veríamos como que permaneceram com Jesus apenas os seus verdadeiros discípulos, que no caso, eram poucos.
Em outra passagem já citada, Jesus mesmo disse que “muitos” naquele dia dirão: Senhor, Senhor!!! Como lemos:

22 Muitos, naquele dia, hão de dizer-me: Senhor, Senhor! Porventura, não temos nós profetizado em teu nome, e em teu nome não expelimos demônios, e em teu nome não fizemos muitos milagres? Então, lhes direi explicitamente: nunca vos conheci. Apartai-vos de mim, os que praticais a iniqüidade. (Mt 7:22-23)
 
De fato, só podemos concluir que uma das características dos falsos mestres é que eles sempre terão “muitos seguidores“, até porque “larga é a porta, e espaçoso, o caminho que conduz para a perdição, e são muitos os que entram por ela” conforme Jesus mesmo nos disse no evangelho de Mateus cap.7:
 
13 Entrai pela porta estreita (larga é a porta, e espaçoso, o caminho que conduz para a perdição, e são muitos os que entram por ela), 14 porque estreita é a porta, e apertado, o caminho que conduz para a vida, e são poucos os que acertam com ela. (Mat.7:13-14)
E neste contexto Jesus está tratando dos falsos profetas pois no verso seguinte ele diz:
 
15 Acautelai-vos dos falsos profetas, que se vos apresentam disfarçados em ovelhas, mas por dentro são lobos roubadores.
Finalmente, estes falsos mestres, que surgem no meio do povo, introduzem heresias destruidoras e fazem muitos seguidores, acabam, movidos por avareza, fazendo comércio do povo.
4.4 – 4a CARACTERÍSTICA:“OS FALSOS MESTRES FAZEM COMÉRCIO DO POVO”

v.3  também, movidos por avareza, farão comércio de vós, com palavras fictícias; para eles o juízo lavrado há longo tempo não tarda, e a sua destruição não dorme.
 
Outra característica que o texto nos apresenta a cerca dos falsos mestres, é justamente a grande motivação que os impulsiona: a de  “fazer comércio (de vós) do povo”.
Fazer comércio significa literalmente “fazer dinheiro com”. É a mesma palavra usada para um “viajante mercador”, transmitindo a idéia de comerciar, explorar, lucrar ou mesmo espoliar as pessoas. E tudo isto movido por “avareza” que  sig. “ganância” ou “apetite insaciável.”
 
Interessante que tudo isto era feito através de “palavras fictícias“. Que pode ser traduzida como palavras “fingidas” ou “artificiais”. A expressão no original é “plastos” a mesma usada para o subst. “plástico”, ou seja, as palavras destes falsos mestres eram forjadas e modeladas segundo os interesses de cada um, assim como se modela um plástico. Com isso vemos que esta palavra não era uma palavra firme e inalterável, mas uma palavra totalmente manipulada segundo os seus interesses.
 
Esta expressão se torna cheia de sentido no contexto, pois eles “farão comércio do povo com palavras fictícias”, ou seja, para retirar dinheiro das pessoas seria preciso modelar a mensagem proferida.
No caso, certamente seria uma palavra de bajulação, com o intuito de agradar, pois isto é comum entre os falsos profetas e mestres, ou seja, agradam o povo para poder retirar deles o que quiserem.
Mesmo no passado, os “falsos profetas” bajulavam o povo “curando superficialmente a ferida do povo” e faziam isto movidos por ganância, conforme disse Jeremias:
 
13  …porque desde o menor deles até ao maior, cada um se dá à ganância, e tanto o profeta como o sacerdote usam de falsidade. 14 Curam superficialmente a ferida do meu povo, dizendo: Paz, paz; quando não há paz.(Jer. 6:13-14)
 
Judas, na sua carta, diz que estes falsos mestres são aduladores dos outros por motivos interesseiros:
 
16 Os tais são murmuradores, são descontentes, andando segundo as suas paixões. A sua boca vive propalando grandes arrogâncias; são aduladores dos outros, por motivos interesseiros. (Judas v.16)
 
O apóstolo Paulo na carta á Timóteo, ao tratar dos falsos mestres que “ensinavam outra doutrina” diz que estes homens supõem que a piedade é fonte de lucro:
 
3 Se alguém ensina outra doutrina e não concorda com as sãs palavras de nosso Senhor Jesus Cristo e com o ensino segundo a piedade, 4 é enfatuado, nada entende, mas tem mania por questões e contendas de palavras, de que nascem inveja, provocação, difamações, suspeitas malignas, 5 altercações sem fim, por homens cuja mente é pervertida e privados da verdade, supondo que a piedade é fonte de lucro. (1 Tim. 6:3-5)
 
Esta característica dos falsos mestres, a de fazer comércio com o povo, tem uma ligação muito forte com palavras de bajulação, por isto o Apóstolo Paulo, mostrando-se não ser como estes falsos mestres, diz que nunca usou de “linguagem de bajulação” nem de “intuitos gananciosos”:
3 Pois a nossa exortação não procede de engano, nem de impureza, nem se baseia em dolo; 4 pelo contrário, visto que fomos aprovados por Deus, a ponto de nos confiar ele o evangelho, assim falamos, não para que agrademos a homens, e sim a Deus, que prova o nosso coração. 5 A verdade é que nunca usamos de linguagem de bajulação, como sabeis, nem de intuitos gananciosos. Deus disto é testemunha. 6 Também jamais andamos buscando glória de homens, nem de vós, nem de outros.(1 Tess. 2:3-6)
 
Mais uma vez Pedro encerra outro versículo nos dando a garantia de que estes falsos mestres serão julgados. Pois o “juízo lavrado a tanto tempo não tarda” e a “destruição não dorme”. Isto significa que o juízo pronunciado há tanto tempo no Antigo Testamento está iminente, isto significa literalmente que este juízo “desde a antigüidade não tem sido ocioso”. Novamente a expressão “destruição” é usada para se referir ao fim dos falsos mestres, e agora o apóstolo  acrescenta que esta destruição “não dorme” ou “não dormita” mesma expressão aplicada ás virgens sonolentas de Mateus 25:5. Ou seja, de fato Deus está atento a todas as suas obras e nada ficará impune.
De fato, os falsos mestres tem esta característica muito marcante, “fazer comércio com o povo” e para isto se utilizam de “palavras fictícias (artificiais e fingidas)”, mas certamente que de todas estas coisas, eles serão julgados.
 
5. CONCLUSÃO e APLICAÇÃO:

Acabamos de ver algumas características dos “falsos mestres”. O Apóstolo Pedro nos previne e nos orienta, ao mostrar as suas características. Observando este texto,  podemos ver as características dos falsos mestres:
1.    Eles surgem no meio do povo.
2.    Eles introduzem dissimuladamente heresias destruidoras.
3.    Eles fazem muitos seguidores.
4.    Eles fazem comércio do povo.
No texto, estas expressões estão no futuro, “haverá no meio de vós”, “introduzirão heresias”, “farão comércio”… Por meio desta profecia nós somos previamente alertados pelo Apóstolo Pedro, para que possamos detectar em nossos dias as características destes falsos profetas.
De fato eles surgem do meio do povo. Eles estão misturados entre o povo. Muitas vezes é difícil de detectá-los. Usam o rótulo de evangélico, usam o texto da Bíblia (ainda que usam o texto como pretexto). As terminologias usadas são semelhantes, e tudo é em nome de Jesus.

No entanto, conforme o texto nos previne, podemos ver que nos dias de hoje eles ainda introduzem  dissimuladamente heresias destruidoras. E isto ocorre “até ao ponto de negarem ao Senhor”, pois as implicações daquilo que muitas vezes ouvimos de certos líderes evangélicos, se constituem na própria negação do Soberano Senhor.
E não é atoa que eles tem muitos seguidores. Pregam exatamente aquilo que o povo quer ouvir. As pessoas não são chamadas ao arrependimento e santidade de vida.
Assistindo a alguns “cultos” vemos que buscar a Deus se confunde com “buscar dinheiro, prosperidade e curas”. Os templos estão cheios de “gente” e não de “crente”. Estão a procura das bênçãos de Deus e não do Deus das bênçãos.
Finalmente vimos que estes falsos mestres “fazem comércio com as pessoas”. E é exatamente isto que vemos nos nossos dias também. No final de cada culto vemos um apelo, e já não é mais um apelo para as pessoas “irem até Cristo”, mas para levarem algum dinheiro até o púlpito. As pessoas são extorquidas a darem tudo o que tem. E como vimos, eles fazem isto “com palavras fictícias“, ou seja, modelam e torcem a verdade de Deus segundo seus próprios interesses.
Constatando todas estas características nos dias de hoje, estamos prevenidos e vacinados contra estes falsos mestres, para que, como disse o Apóstolo Paulo “…não mais sejamos como meninos, agitados de um lado para outro e levados ao redor por todo vento de doutrina, pela artimanha dos homens, pela astúcia com que induzem ao erro.” (Ef. 4:14)
E finalmente podemos ter certeza de que para eles “o juízo lavrado há longo tempo não tarda, e a sua destruição não dorme.” Deus julgará cada um segundo as suas obras.
 
Paula Jordem

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