terça-feira, 9 de agosto de 2016

A TEOLOGIA SOCIAL- Pobres e excluídos na visão da Bíblia


                            

              Feliz quem tem piedade e ajuda o oprimido;
             seus negócios serão conduzidos com retidão;
         mas a ambição dos injustos, no final resultará em fracasso
                                (Sl 112, 5. 10).


A Bíblia é um livro social, religioso e político, que conta a história de um povo e o amor que Deus tem por esse povo. Ainda pode surgir uma questão: Por que temas sociais em um trabalho teológico? Por que não apenas temas místicos? A mística, na verdade, consiste em adorar o mistério, que é Deus, cuja grandeza intrínseca e constituinte é o amor. Deus é amor (cf. 1Jo 4, 8.16). Ora, amor de Deus por mim equivale a amor de Deus por todos. Não parece lógico.


O objetivo do biblista é sempre atualizar a mensagem bíblica, a partir de uma leitura do passado, ligando-o com as necessidades da vida atual do povo. As opções de solidariedade começaram com o homem oprimido. Desde que o primeiro oprimido, Abel, sofreu violência, Deus colocou-se a seu lado, denunciando o opressor e condenando o mal cometido.


Como nação nova, Israel não possuía um sistema social e econômico estável. Para enriquecer ou adquirir algum poder ou status, as pessoas recorriam à corrupção, à venalidade, às trocas de favores escusos e, não raro, à violência e à desapropriação pela força ou pelo embuste. Igualmente a crença religiosa sofreu sérios problemas. O apiru (grupo de semi-nômades que perambulava pelo deserto) trouxe do Egito uma ponderável carga politeísta de um deísmo extremamente liberal. Lá eles aprenderam a adorar ídolos circunstanciais.


No aspecto econômico, o povo que saiu pobre do Egito, empobreceu ainda mais nos quarenta anos de andanças pelo deserto, não conquistou as melhores terras palestinas, foi explorado pelos chefes e serviu de mão de obra barata nos tempos do exílio. Esse mesmo povo, biblicamente chamado de resto, chega ao século VI a.C. na mais negra das penúrias, extremamente enfraquecido em sua cidadania, debilitado como nação, sem direitos ou propriedades. Toda a cristologia, baseada no amor preferencial pelos excluídos, traz consigo uma forte carga de solidariedade, despertada a partir do drama dos oprimidos de Israel. É a respeito deles que vai girar toda a nossa reflexão.


1. A POBREZA


Uma vez sedentarizada, a emergente sociedade israelita começa a acusar diferenças socioeconômicas oriundas de diversos fatores: a) práticas pré-capitalistas de exploração; b) violência para coonestar a ganância; c) origens pobres (no Egito e no êxodo); d) defraudação da boa fé; e) o êxodo sacrificou os fracos e os mais pobres; f) fenômenos diversos (secas, frustrações de colheitas, assaltos de bandidos, doenças, etc.). As Escrituras se referem aos pobres de Javé através de algumas expressões características:


 rãs  - indigente
 dål      -     desnutrido, magro (de fome)
 ebyon  -     mendigo
 anaw  -     empobrecido (plural,  anawin )
Às vezes, a expressão pobres de Javé, não é bem recebida em alguns círculos, sob a alegação de exclusão. A grande e insofismável verdade é que Javé ama os pobres, não somente pelo fato de serem pobres, mas sua contingência de exclusão. Ao mesmo tempo em que acolhe os anawim ele volta as costas aos opressores e despede os gananciosos de mãos vazias.



O Antigo Testamento é rico nesses ensinamentos, a partir das práticas sócio-fraternas que demonstram que a obediência à lei de Deus traz bênçãos (cf. Gn 22, 18). Nessa perspectiva, escolhemos alguns textos que deixam clara a afirmação do amor de Deus pelos empobrecidos:


Não explore o imigrante nem o oprima; lembre-se que você foi imigrante no Egito (Ex 22, 20).


[...] a terra não será vendida para sempre, pois ela é minha e vocês são meus posseiros (Lv 25, 23).


Em sua região não haverá mendigos porque o Senhor vai abençoar a terra  (Dt 15, 4).


A pobreza levanta uma série de questões sociológicas capazes de nos inquietar: Por que há pobreza? Quais as suas raízes? Como podemos classificar suas conseqüências? As respostas a estas questões podem ser enunciadas a partir das tantas verdades contidas nas Sagradas Escrituras. Ora, se Deus criou tudo para todos, quando se observar o desnível a que foram jogados os pobres, pode-se concluir que a aliança foi quebrada. A imagem e semelhança foi desrespeitada e  alguém vai pagar por isso: nesta ou na outra vida.


O excluído é aquele que já não tem mais nada para ser explorado. Se viver ou se morrer, tanto faz. Assim era na sociedade monárquica de Israel, assim ocorre no sistema neoliberal de idolatria de mercado de hoje. O excluído está, econômica e socialmente, um (ou mais) degrau abaixo do pobre. Há pobres porque há quem os explore e empobreça; há pobres porque a lei de Deus não é respeitada. Há ricos, cada vez mais ricos, a custa de pobres cada vez mais pobres.


O pagamento de impostos se converteu, desde o início, em uma rica fonte de recursos dos governos e um pesadelo para a população, em especial dos pobres, em vista da não-proporcionalidade dos tributos: o pagamento era per capita, independente de rendas e propriedades. Em alguns casos, autoridades, militares e sacerdotes eram isentados de contribuição. Em seu célebre perfil do opressor, Jeremias traça as características de alguns daqueles responsáveis pelo empobrecimento do povo:


Há ímpios no meio do povo; eles estão à espreita, como passarinheiros que se agacham para colocar armadilhas. Esses caçam homens. Como uma gaiola cheia de pássaros, assim suas casas estão cheias de rapina. Por isso progrediram e tornaram-se ricos, ficaram gordos e reluzentes. A maldade deles passa dos limites: não julgam conforme o direito, não exercem justiça para com o órfão nem julgam adequadamente a causa dos indigentes (Jr 5, 26ss).


Embora a situação fosse adquirir contornos de tragédia após as deportações, a bem da verdade é imperioso afirmar que a sedentarização estabeleceu um divisor de águas em algumas classes sociais da Palestina. Após o exílio, instaura-se um tempo de desgraça, profetizado por Amós (cf. 5, 13). As leis gerais, ditadas por Deus ao homem, não se prendiam a um verticalismo na relação Deushomem, mas obrigavam, igualmente, a uma relação horizontal, na solidariedade do homem com seu semelhante. Na espiritualidade judaica, apesar daquele aspecto não ser desprezado, a justiça era (ou pelo menos deveria ser) buscada no sentido de fazer a vontade de Deus:


Busca a justiça e viverás!       (Dt 16, 20)


Como decorrência da quebra da aliança e descumprimento da lei divina, começa a surgir a palavra há’tãt, cujo significado é desvio e teologicamente apropriada como ruptura entre o homem e Deus. Há’tãt seria traduzido mais tarde como peccatum (delito) no latim, hamartia (quebra) no grego, e sünde (afastamento) no alemão.

quinta-feira, 21 de julho de 2016

Eclesiastes 4




De novo voltei a minha atenção e vi toda a opressão que ocorre debaixo do sol: Vi as lágrimas dos oprimidos, mas não há quem os console; o poder estava do lado dos seus opressores, e não há quem os console.

Por isso considerei os mortos, mais felizes do que os vivos, pois estes ainda têm que viver!

No entanto, melhor do que ambos é aquele que ainda não nasceu, que não viu o mal que se faz debaixo do sol.

Descobri que todo trabalho e toda realização surgem da competição que existe entre as pessoas. Mas isso também é absurdo, é correr atrás do vento.
O tolo cruza os braços e destrói a própria vida.
Melhor é ter um punhado com tranqüilidade do que dois punhados à custa de muito esforço e de correr atrás do vento.
Descobri ainda outra situação absurda debaixo do sol:
Havia um homem totalmente solitário; não tinha filho nem irmão. Trabalhava sem parar! Contudo, os seus olhos não se satisfaziam com a sua riqueza. Ele sequer perguntava: "Para quem estou trabalhando tanto, e por que razão deixo de me divertir? " Isso também é absurdo. É um trabalho muito ingrato!
É melhor ter companhia do que estar sozinho, porque maior é a recompensa do trabalho de duas pessoas.
Se um cair, o amigo pode ajudá-lo a levantar-se. Mas pobre do homem que cai e não tem quem o ajude a levantar-se!
E se dois dormirem juntos, vão manter-se aquecidos. Como, porém, manter-se aquecido sozinho?
Um homem sozinho pode ser vencido, mas dois conseguem defender-se. Um cordão de três dobras não se rompe com facilidade.
Melhor é um jovem pobre e sábio, do que um rei idoso e tolo, que não mais aceita repreensão.
O jovem pode ter saído da prisão e chegado ao trono, ou pode ter nascido pobre no país daquele rei.
Percebi que, ainda assim, o povo que vivia debaixo do sol seguia o jovem, o sucessor do rei.
O número dos que aderiram a ele era incontável. A geração seguinte, porém, não ficou satisfeita com o sucessor. Isso também não faz sentido, é correr atrás do vento.


A solidão é um dos males deste século. A depressão vem decorrente da solidão. Solidão não é somente estar sozinho, mas sentir-se sozinho. 
Sentir dor, sentir humilhação, cansaço da vida, tristeza, saudade, arrependimento, etc, geralmente nos afasta das pessoas, ou melhor, afastam as pessoas de nós. A maioria das pessoas não tem tempo, paciência ou boa vontade de ouvir o sofrimento do outro. Sempre a dor de quem ouve é maior do que a de quem fala, ou a dor de quem fala é exagerada pra quem ouve. 

Lidar com a solidão não é nada fácil. Tem gente que gosta de estar sozinho, e por consequência se torna uma pessoa intolerante, que tem dificuldades em conviver, de ouvir ou se envolver com alguém que apresenta algum tipo de dificuldade de se relacionar por causa da depressão ou por resquícios de sofrimentos passados. 

segunda-feira, 27 de junho de 2016

Desemprego leva à depressão e causa 20% dos suicídios no mundo Saiba como reconhecer os sintomas e auxiliar quem passa por essa situação





Por mais que o momento possa ser desafiador, resista ao desespero!

Vamos imaginar a seguinte situação: você sempre trabalhou, teve muitas responsabilidades e, de uma hora para outra, perde o emprego. Esse é um momento muito desafiador, ainda mais quando não se está esperando. Você pode aproveitar os primeiros dias para ‘descansar’, reorganizar a casa e os estudos. Porém, estar nesta situação também significa, muitas vezes, depender de familiares, dos amigos. E aí é a hora que bate aquele medo de não conseguir pagar o aluguel, a faculdade, a parcela do carro, não ter mais uma vida social, ou seja, ficar sem ‘nada’ do que se está acostumado.
Esse temor pode ser uma experiência devastadora, tanto é que muitas pessoas se fecham, isolam-se a ponto de entrarem num estado de profunda depressão. Nesses momentos, é essencial lembrar que você nunca está só e que pode contar com o apoio de pessoas queridas e da Espiritualidade Superior para vencer esse grande desafio. "Em qualquer circunstância, pense logo em Jesus".
Em períodos de crise econômica, todo o cuidado é pouco. Investigadores da Universidade de Zurique publicaram um estudo na conceituada revista The Lancet Psychiatry que, por ano, mais de 45 mil pessoas não resistem ao desespero e acabam tirando a própria vida. Detalhamos mais logo abaixo.

O FIM DO MUNDO CHEGOU?





Reportagens, documentários, filmes, depoimentos de cientistas, internet e organizações em todo o mundo, estão alertando sobre possíveis catástrofes como: terremotos; tsunamis; erupções vulcânicas; explosões solares; impacto de meteoritos; mudanças climáticas extremas; aumento do nível do mar; epidemias; pandemias; uma possível guerra nuclear, que encheria a atmosfera terrestre de fumaça radioativa tóxica altamente letal. Tais desastres criariam um cenário de caos, tão horrível, que nem mesmo em nossos mais terríveis pesadelos poderíamos imaginar.
Em virtude disto, várias pessoas em diversos países estão construindo abrigos subterrâneos em locais que julgam serem seguros, estocando água, mantimentos ou plantando alimentos de fácil cultivo. Alguns abrigos são verdadeiras fortalezas, na tentativa de conter possíveis invasões.
O fim do mundo chegou?
Estaríamos vivendo, realmente, os últimos dias?
Se você nunca se interessou ou tem dúvidas sobre este assunto, o que está escrito nestas linhas pode te ajudar.
Leia com calma e sem pressa.
Três dos quatro Evangelhos (Mateus, Marcos e Lucas), registram a pergunta que os discípulos fizeram a Jesus sobre que sinal haveria da Sua vinda e da consumação do século. Então o Mestre lhes respondeu:
E certamente ouvireis falar de guerras e rumores de guerras; vede, não vos assusteis, porque é necessário assim acontecer, mas ainda não é o fim.
Porquanto se levantará nação contra nação, reino contra reino, e haverá fomes e terremotos em vários lugares; porém tudo isto é o princípio das dores”. (Mateus 24: 6-8)
Porque se levantará nação contra nação, e reino, contra reino. Haverá terremotos em vários lugares e também fomes. Estas coisas são o princípio das dores”. (Marcos 13: 8)
Então lhes disse: Levantar-se-á nação contra nação, reino contra reino; haverá grandes terremotos; epidemias e fome em vários lugares, coisas espantosas e também grandes sinais no céu”. (Lucas 21: 10-11)

domingo, 13 de março de 2016

O que a Bíblia diz sobre corrupção



Há quem pense que a corrupção seja um fenômeno recente na sociedade. Se o fosse, não haveria tantas advertências bíblicas contra ela.


“O que anda em justiça, e o que fala com retidão, que arremessa para longe de si o ganho de opressões, e que sacode das suas mãos todo suborno, que tapa os seus ouvidos para não ouvir falar de sangue, e fecha os olhos para não ver o mal; este habitará nas alturas, e as fortalezas das rochas serão o seu alto refúgio. O seu pão lhe será dado, e as suas águas serão certas”. Isaías 33:15-16



“Verdadeiramente a opressão faz endoidecer até o sábio, e o suborno corrompe o coração”. Eclesiastes 7:7



Advertência contra a corrupção no funcionalismo público

“Chegaram também uns cobradores de impostos, para serem batizados, e lhe perguntaram: Mestre, que devemos fazer? Respondeu-lhes: Não peçais mais do que o que vos está ordenado”. Lucas 3:12-13



Advertência contra a corrupção policial

“Então uns soldados o interrogaram: E nós, o que faremos? Ele lhes disse: A ninguém trateis mal, não deis denúncia falsa, e contentai-vos com o vosso soldo”.Lucas 3:14



Advertência contra a corrupção no Poder Judiciário



“Não torcerás a justiça, nem farás acepção de pessoas. Não tomarás subornos, pois o soborno cega os olhos dos sábios, e perverte as palavras dos justos. Segue a justiça, e só a justiça, para que vivas e possuas a terra que o Senhor teu Deus te dá”.Deuteronômio 16:19-20



“Também suborno não aceitarás, pois o suborno cega os que têm vista, e perverte as palavras dos justos”. Êxodo 23:8



“O ímpio acerta o suborno em secreto, para perverter as veredas da justiça”.Provérbios 17:23



“Ai dos que...justificam o ímpio por suborno, e ao justo negam justiça”. Isaías 5:22a,23