terça-feira, 28 de março de 2017

Anticristo islâmico? O Anticristo será um muçulmano?




Pergunta: "Anticristo islâmico? O Anticristo será um muçulmano?"

Resposta: Com as crescentes tensões no Oriente Médio nos últimos anos, e especialmente com as declarações de xiitas muçulmanos extremistas sobre o Décimo Segundo Imã, muitas pessoas começaram a perguntar como isso se relaciona com as profecias bíblicas. Para responder, é preciso primeiro descobrir quem é o décimo segundo imã é o que se acredita que ele fará pelo Islã. Em segundo lugar, devemos examinar as declarações de muçulmanos xiitas em relação a essas esperanças e, em terceiro lugar, precisamos ver o que a Bíblia diz sobre a questão.

Dentro do ramo xiita do Islã, houve doze imãs, ou líderes espirituais, designados por Alá. Estes começaram com o imã Ali, primo de Maomé, o qual reivindicou a sucessão profética depois da morte de Maomé. Por volta do ano 868 DC, o Décimo Segundo Imã, Abual-Qasim Muhammad (ou Maomé al Mahdi), nasceu ao décimo primeiro imã. Porque o seu pai estava sob intensa perseguição, Mahdi foi enviado a esconder-se para a sua proteção. Aos 6 anos de idade, ele rapidamente saiu da clandestinidade quando o seu pai foi morto, mas depois voltou a se esconder. Diz-se que ele tem se escondido em cavernas desde então e retornará de forma sobrenatural antes do dia do juízo para erradicar toda a tirania e opressão, trazendo harmonia e paz à terra. Ele é o salvador do mundo na teologia xiita. De acordo com um escritor, o Mahdi vai combinar a dignidade de Moisés, a graça de Jesus e a paciência de Jó em uma pessoa perfeita.

As previsões sobre o Décimo Segundo Imã têm uma impressionante semelhança com as profecias bíblicas do fim dos tempos. De acordo com a profecia islâmica, o retorno do Mahdi será precedido por uma série de eventos durante três anos de horrível caos mundial e ele dominará sobre os árabes e o mundo por sete anos. A sua aparição será acompanhada por duas ressurreições, uma dos ímpios e uma dos justos. Segundo os ensinamentos xiitas, a liderança do Mahdi será aceita por Jesus e os dois grandes ramos da família de Abraão serão reunidos para sempre.

Como as declarações de muçulmanos xiitas, como as do presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, se relacionam com isso? Ahmadinejad é um xiita profundamente comprometido e afirma que deve pessoalmente preparar o mundo para a vinda de Mahdi. Para que o mundo seja salvo, é necessário que esteja em um estado de caos e subjugação, e Ahmadinejad sente que foi escolhido por Alá para preparar o caminho para isso. Ahmadinejad tem repetidamente feito declarações sobre destruir os inimigos do Islã. O presidente iraniano e seu gabinete supostamente assinaram um contrato com Al Mahdi no qual se comprometem à sua obra. Quando perguntado diretamente pela repórter do ABC, Ann Curry, em setembro de 2009, sobre suas declarações apocalípticas, Ahmadinejad disse: "Imã... virá com a lógica, com a cultura, com a ciência. Ele virá de modo que não haverá mais guerra. Não mais inimizade, não mais ódio. Não mais conflito. Ele vai convidar todos a entrarem em um amor fraternal. É claro que ele vai retornar com Jesus Cristo. Os dois voltarão juntos e trabalharão juntos para preencher este mundo com amor."

O que tudo isso tem a ver com o Anticristo? De acordo com 2 Tessalonicenses 2:3-4, haverá um "homem do pecado" revelado nos últimos dias que vai opor-se e exaltar-se acima de tudo que se chama Deus. Em Daniel 7, lemos da visão de Daniel dos quatro animais que representam reinos que desempenham papéis importantes no plano profético de Deus. O quarto animal é descrito (v. 7-8) como sendo terrível, espantoso, muito forte e diferente daqueles que vieram antes dele. Também é descrito como tendo um "pequeno chifre" que arranca outros chifres. Esse chifre pequeno é frequentemente identificado como o Anticristo. No versículo 25, ele é descrito como falando “palavras contra o Altíssimo, e consumirá os santos do Altíssimo; cuidará em mudar os tempos e a lei; os santos lhe serão entregues na mão por um tempo, e tempos, e metade de um tempo" (3 ½ anos). Em Daniel 8, a visão do carneiro e do bode identifica um rei que vai surgir nos últimos dias (v. 23-25), destruir muitas pessoas e se levantar contra Cristo, mas este rei será quebrado. Daniel 9:27 profetiza que o "príncipe que há de vir" faria uma aliança de 7 anos com muitas pessoas e em seguida traria muita desolação. Quem será este Anticristo? Ninguém sabe ao certo, mas muitas teorias foram dadas, inclusive a possibilidade de que seria um árabe.

Independentemente das várias teorias, há alguns paralelos entre a Bíblia e a teologia xiita que devemos observar. Primeiro, a Bíblia diz que o reino do Anticristo governará o mundo por sete anos e o Islã afirma que o Décimo Segundo Imã governará o mundo por sete anos. Em segundo lugar, os muçulmanos antecipam três anos de caos antes da revelação do Décimo Segundo Imã e a Bíblia fala de 3 anos e meio de Tribulação antes do Anticristo se revelar ao profanar o templo judaico. Terceiro, o Anticristo é descrito como um enganador que alega trazer paz, mas que realmente traz a guerra generalizada. A antecipação do Décimo Segundo Imã é que ele vai trazer a paz através de guerra massiva com o resto do mundo.

O Anticristo será um muçulmano? Só Deus sabe. Há ligações entre a escatologia islâmica e a escatologia cristã? Certamente parecem existir correlações diretas, embora sejam como a leitura das descrições de uma grande batalha, primeiro do ponto de vista do perdedor, tentando preservar a sua reputação e, em seguida, da perspectiva do vencedor. Até que vejamos o cumprimento dessas coisas, é preciso prestar atenção às palavras de 1 João 4:1-4: "Amados, não creiais a todo espírito, mas provai se os espíritos vêm de Deus; porque muitos falsos profetas têm saído pelo mundo. Nisto conheceis o Espírito de Deus: todo espírito que confessa que Jesus Cristo veio em carne é de Deus; e todo espírito que não confessa a Jesus não é de Deus; mas é o espírito do anticristo, a respeito do qual tendes ouvido que havia de vir; e agora já está no mundo. Filhinhos, vós sois de Deus, e já os tendes vencido; porque maior é aquele que está em vós do que aquele que está no mundo."

O Anticristo Islâmico




Por muitas vezes cogitamos quem seria o Anticristo. De onde ele vem? Neste vídeo, uma boa conjectura analítica das escrituras. Assista e tire suas conclusões.







quinta-feira, 23 de março de 2017

Obcecado por números



Primeiro, é importante discutir um dos problemas primários em missões na Índia – a empolgação do Ocidente pela eficiência numérica, isto é, a ideia de que grandes números são uma validação da bênção de Deus e do sucesso no ministério.
O mundo corporativo é apaixonado por números, por grandes números. Os números são a ordem do dia em toda esfera da vida, e a empolgação por números impressionantes encontrou seu lugar na igreja e na missão da igreja, tanto no Ocidente quanto – como um resultado da influência ocidental – na Índia. Muito do jargão de missões é, de alguma forma, colorido pela noção de eficiência numérica: “rapidez”, “multiplicação”, “estratégia”, “crescimento”.
Cada “visão” e cada “relatório” tem um tipo de etiqueta numérica acoplada. 5.000 igrejas em 5 anos. 30.000 batismos em 3 anos. Maior e mais rápido = melhor. Certo?
Errado!
Infelizmente, a obsessão da igreja do Ocidente por números tem tido um efeito destrutivo, de modo que o nome de Cristo é blasfemado na Índia.
Uma mania pecaminosa por números maiores e melhores tem infectado tanto os ministros nativos quanto a obra dos missionários ocidentais na Índia. A noção de que o crescimento numérico é um indicador de fidelidade é estranho às Escrituras e, na verdade, surge do “movimento de crescimento de igreja”.[1] Mas, infelizmente, a maioria das igrejas – até mesmo aquelas que sustentam uma teologia do evangelho centrada em Deus mais robusta – comprou essa falsa ideia de que “crescimento rápido” é o sinal primário da bênção de Deus.  Quanto mais rápido você cresce, mais fiel você é.
Eu espero desacreditar essa falsa ideia discutindo alguns dos desastrosos efeitos que isso teve em missões na Índia. Porém, mais do que isso, espero alertar meus irmãos e minhas irmãs do Ocidente para uma abordagem de missões mais sã, fiel e centrada no evangelho. Nós certamente podemos celebrar um crescimento numérico se ele for de acordo com a Escritura. Mas quando o crescimento numérico substitui prioridades da Escritura, o evangelho é comprometido e o testemunho cristão é manchado. Ao apontar alguns dos resultados devastantes da ênfase nos números, eu espero encorajar as igrejas do Ocidente a terem discernimento sobre os trabalhos dos missionários que eles sustentam, enquanto encorajo meus irmãos indianos a buscarem um crescimento real do evangelho em seus ministérios, independente de eles parecerem ou não impressionantes para o Ocidente.

A praga do cristianismo nominal

Os relatórios missionários da Índia estão cheios de notícias de impressionantes “movimentos de pessoas” para Cristo que estão aparentemente acontecendo em todo o país. Os missionários com quem conversei descreveram seu trabalho nos seguintes termos: “7.000 igrejas foram plantadas na Caxemira nos últimos 5 anos”. “50.000 novos crentes foram batizados em Nova Deli ano passado”. “Centenas de milhares da casta inferior dos ‘Dalits’ (intocáveis) estão chegando para conhecerem a Cristo”. O que nos é dito é que as coisas estão acontecendo na Índia em uma “escala sem precedentes”, igualada somente pelos capítulos iniciais do livro de Atos. Isso é real? Deixe-me responder com 3 pontos.
i. Onde estão as igrejas?
Um colega indiano cooperador do evangelho (que trabalha em uma das regiões mais difíceis no norte da Índia) me disse que, quando ele ouve amigos do Ocidente falarem sobre essas milhares de igrejas plantadas, sem piscar, ele pergunta irritado pelo endereço e o CEP delas para que ele possa visitar pelo menos uma delas. Seu ponto não é que todas as igrejas têm que ter um endereço físico, mas que esses números estão relatando igrejas fantasmas, que não existem na realidade.
Em resumo, os números são uma ilusão. Essas assim chamadas “igrejas” são tipicamente nada mais que um grupo de três ou quatro pessoas que acabam por se encontrar uma ou duas vezes de forma casual. Elas ouvem umas duas histórias bíblicas aguadas e desaparecem no esquecimento depois disso.
Na maioria dos trabalhos missionários na Índia, as prioridades pragmáticas suplantaram as prioridades bíblicas. Um amigo missionário do Ocidente recentemente me disse que, acerca do seu desenvolvimento na Índia, os superiores na sua organização insistiram que ele fosse “estratégico” para “estimular um rápido crescimento” na plantação de “igrejas-coelho”, que são rapidamente estabelecidas e se multiplicam rapidamente, ao invés de plantar “igrejas-elefante”, que tomam um longo tempo para se estabelecerem e, então, requerem muito trabalho no discipulado, o que torna as coisas mais lentas. A resposta direta do meu amigo foi: “Mas igrejas-coelho são devoradas por falcões e lobos”.
A mania por números e o impulso por crescimento rápido resultam em “igrejas” que não têm o evangelho, nem liderança, nem teologia, nem profundidade, tornando-as presa fácil para as heresias da teologia da prosperidade, sincretismo e outros ensinos falsos.

terça-feira, 21 de março de 2017

A Palavra de Deus excede todas as ciências



A Palavra de Deus excede todas as ciências. O homem que é chamado de filósofo, mas não lê os livros de filosofia é envergonhado; o mesmo ocorre com aquele que é chamado de advogado, astrônomo ou físico, que seja ignorante dos livros de direito, astronomia e física. Ora, alguém que professa a Cristo e sua religião, pode não se dedicar (o máximo que puder ou for conveniente) a ler e ouvir, e assim conhecer os livros do evangelho e da doutrina de Cristo? Ainda que outras ciências sejam boas e devam ser aprendidas, o que nenhum homem pode negar, entretanto, a ciência de Cristo é essencial e ultrapassa todos os outros conhecimentos de modo incomparável. Que desculpas daremos, então, no último dia diante de Cristo, se nos deleitarmos em ouvir fantasias e invenções humanas mais do que nos deleitamos em seu santíssimo evangelho? E não encontraremos tempo para fazer o que devemos principalmente (sobre todas as coisas), se preferirmos ler outras coisas em vez da Palavra de Deus, pela qual deveríamos, antes, deixar todas as demais leituras. Portanto, apliquemos a nós mesmos, enquanto tivermos tempo e descanso, a conhecer a Palavra de Deus, por meio de ouvi-la e lê-la com diligência, se nós professamos a Deus e temos fé e confiança nele.
Desculpas vãs dissuadem do conhecimento da Palavra de Cristo. Aqueles que não têm boa afeição pela Palavra de Deus dão comumente duas desculpas vãs para disfarçar essa sua culpa. Alguns vão se desculpar por sua fraqueza e medo, dizendo que não se atrevem a ler as Sagradas Escrituras, pois temem que por sua ignorância não caiam em algum erro. Já outros fingem que a dificuldade de compreender a Palavra de Deus e a complexidade dela é tão grande, que é necessário ser lida apenas por pastores e homens eruditos.
Quanto à primeira desculpa, a ignorância da Palavra de Deus é a causa de todo erro, como o próprio Cristo afirmou aos saduceus, dizendo que eles erravam porque não conheciam a Escritura (Mateus 22.29). Como as pessoas evitarão o erro, se continuam sendo ignorantes? E como sairão da ignorância, se não leem ou ouvem aquilo que pode guia-los ao conhecimento? Aquele que nesse momento tem o maior conhecimento, já foi inicialmente ignorante; ainda assim, ele não se absteve de ler por temer cair em erro, mas leu diligentemente para que não permanecesse em ignorância, e pela ignorância, no erro. E se você não conhece a verdade de Deus (a coisa mais necessária) para que não caia em erro, pelo mesmo motivo você pode ficar deitado e nunca caminhar, para que não venha a cair na lama; nem coma nenhuma boa comida, para que não venha a se engasgar; nem semeie a sua semente, nem trabalhe, nem estoque, para que não corra o risco de perder a sua semente, seu trabalho e sua provisão. Seria melhor você viver na ociosidade, e nunca fazer qualquer coisa boa, para que algo de ruim não venha a lhe ocorrer.

terça-feira, 7 de março de 2017

Como nós obtemos a justificação? (Reforma Protestante 500 anos)



Segue abaixo um excerto dos comentários de Cranmer ao Livro do Rei, que era o título popular para “Uma Doutrina e Erudição Necessárias para Todo Homem Cristão; Apresentadas pela Majestade, o Rei da Inglaterra” (1538). Essa edição foi extraída do volume da Sociedade Parker dos escritos de Cranmer (Cambridge University Press, 1840).
Para saber como obtemos nossa justificação, é conveniente considerar, em primeiro lugar, quão rebeldes e pecadores somos todos nós que descendemos de Adão; e por outro lado, que misericórdia há em Deus, que perdoa todas as ofensas de todos os pecadores sinceramente arrependidos por causa de Cristo. Destas duas coisas, nenhum homem é tão ignorante que nunca tenha ouvido falar sobre a queda de Adão, a qual contaminou toda a sua posteridade; e, também, sobre a misericórdia inexplicável de nosso Pai celestial, que enviou o seu Filho unigênito para sofrer a sua severa paixão por nós e derramou o seu preciosíssimo sangue, como o preço da nossa redenção. Mas é muito desejável e esperado que, à medida que os cristãos conheçam esses fatos, cada homem possa reconhecer e, sem dúvida, crer que os mesmos são verdadeiros e verificados em relação a si mesmo, para que se humilhe diante de Deus e reconheça a si mesmo como um miserável pecador que não é digno de ser chamado de seu filho; e ainda seguramente confiar que estando arrependido, o Deus misericordioso está disposto a lhe perdoar. E, a pessoa que não percebe essas duas coisas verificadas em si mesmo, não pode ter qualquer proveito e lucro ao reconhecer e crer que tais coisas podem ser verificadas em outros. Mas, não podemos satisfazer nossas mentes ou firmar a nossa consciência de que essas coisas são verdadeiras, a menos que evidentemente consideremos o que a Palavra de Deus nos ensina.